Brasil fica com a medalha de prata no Concurso de melhor campanha do Dia Mundial do AVC 2009 da World Stroke Organization. Os critérios utilizados foram:
-mensagem
-inovação
-alcance da campanha
Veja o vídeo da campanha do Dia do AVC no Brasil
Leia mais sobre o concurso e os premiados no site da WSO
AVC: o que eu posso fazer?
Como membro de minha comunidade posso incentivar estilos de vida mais saudáveis e ajudar a proporcionar um ambiente físico e psicológico que os facilite
Como eleitor posso influenciar a política escolhendo melhor os representantes
Como voluntário posso ajudar indivíduos e comunidades
Como doador posso facilitar o trabalho de outros"
O PROBLEMA DO AVC NO BRASIL (por Octávio Marques Pontes Neto)
Derrame, trombose, congestão, passamento, infarto cerebral, isquemia, tanto faz. Nenhuma das 28 denominações diferentes utilizadas no Brasil para designar o Acidente Vascular Cerebral (AVC) reflete o impacto desastroso desta doença em nosso País. O AVC é principal causa de morte no Brasil! E há pelo menos 20 anos. A cada 5 minutos, uma pessoa morre por AVC no Brasil, totalizando mais de 100.000 óbitos todo ano. A doença é ainda a principal causa de incapacidade em adultos. A cada ano, retira do mercado de trabalho milhares de brasileiros e os deixa restritos a uma cama, incapazes de andar, tomar banho ou comer sem ajuda e, portanto, sem dignidade. Mas não precisava ser assim...
Causado na grande maioria das vezes pelo entupimento de uma artéria que leva sangue ao cérebro, o AVC se apresenta subitamente com sintomas variados: fraqueza ou dormência de um lado do corpo; dificuldade para falar ou entender; perda súbita da visão; dificuldade de coordenação; cefaléia explosiva. Da forma semelhante a um terremoto que antecede uma tsunami, este sintomas iniciais devem ser encarados como o anúncio de uma tragédia. O paciente com AVC que não procura atendimento médico emergencial corre o sério risco de morrer ou ficar seqüelado para sempre. Infelizmente, estes sintomas de alerta são ignorados pela população, que acaba buscando socorro médico no dia seguinte, quando resta muito pouco a ser feito.
AVC já tem tratamento e é sim uma emergência médica. Existem remédios que quando administrados ao paciente nas primeiras horas após o início dos sintomas são capazes de desentupir este vaso sanguíneo obstruído e restaurar o fluxo sanguíneo para a região cerebral afetada. Desta forma, o sangue volta a correr pelo cérebro, levando oxigênio e nutrientes essenciais para o seu funcionamento. Este tratamento denominado trombólise (de trombo-: coagulo; -lise: quebra) foi comprovado cientificamente nos Estados Unidos há 14 anos e mudou a forma como a doença é tratada no mundo. Os trombolíticos também têm sido utilizados para tratamento do infarto cardíaco há mais de 20 anos. Estudos realizados em vários países comprovam que este tratamento é custo-efetivo, reduz as seqüelas do AVC e sua mortalidade, levando a economia do enorme montante de recursos que estão atualmente sendo consumidos com o tratamento de seqüelas e complicações da doença. Por isso, nos países do primeiro mundo, onde o AVC é a segunda ou terceira causa de óbito, esta doença tem sido encarada com seriedade pelas autoridades, com investimento financeiro significativo em sua prevenção e tratamento. Entretanto a realidade no Brasil ainda é bem diferente.
Em nosso País o AVC vem sendo esquecido sistematicamente pelos gestores de saúde pública. Apesar de disponível no Brasil desde 2001, o tratamento trombolítico não é pago pelo SUS, e somente uma minoria consegue ser tratada com este medicamento. De fato, enquanto em alguns hospitais privados do sudeste e sul, até 30% dos pacientes com AVC conseguem receber tratamento trombolítico, menos de 1% dos pacientes com AVC atendidos pelo SUS recebem esta terapia, geralmente em hospitais universitários que podem custear este medicamento, realocando recursos de outros setores. Além disso, faltam unidades de AVC, que são enfermarias com equipe interdisciplinar treinada e capacitada para o atendimento da doença. Estas unidades tiveram um impacto relevante na redução de mortalidade e seqüelas do AVC em países do primeiro mundo.
Esta é mais uma demonstração da enorme disparidade social do Brasil. O AVC afeta ainda mais dramaticamente indivíduos da raça negra e pessoas com baixo poder aquisitivo. Pacientes com AVC se acumulam nas emergências superlotadas do SUS, sem tratamento, com seqüelas que poderiam ser evitadas se a doença fosse encarada com seriedade pelo governo. De fato, o Brasil tem mais em comum com os outros países emergentes do bloco BRIC (Brasil, Russia, India e China) do que a vontade de aumentar sua participação no mercado internacional. A alarmante epidemia de AVC nestes países não é uma coincidência. Não é a toa que estes quatro países estão entre os 10 países com maior taxa de mortalidade por AVC no mundo. A combinação entre o aumento da expectativa de vida, o envelhecimento populacional e o descaso com as doenças cerebrovasculares produziu níveis galopantes de mortes causadas por estas enfermidades nos países emergentes.
Com a finalidade de modificar o grande impacto econômico e social do AVC no Brasil, a Coordenação Geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde iniciou em julho de 2008, sob coordenação do Dr Cloer Véscia Alves, na época Coordenador Geral de Urgência e Emergência, a implantar a Rede Nacional de Atendimento ao AVC. O objetivo foi de implementar um programa de atendimento ao paciente com AVC, visando contemplar todos os níveis de atenção: reconhecimento da população, atendimento pré-hospitalar, hospitalar, reabilitação e prevenção. A fase inicial do projeto é de estruturação da rede de urgência, com hospitais sendo capacitados e equipados em todos o país e interligados pelo SAMU para tratar o AVC conforme as recomendações internacionais e utilizando trombólise nos pacientes que tiverem indicação. Todo o sistema de organização, capacitação, suporte técnico e monitorização da Rede Nacional está alicerçado pelos maiores especialistas em neurologia vascular do país (membros da ABN/SBDCV), que formaram a REDE BRASIL AVC, com o objetivo de melhorar a assistência, educação e pesquisa no AVC. Todo o projeto está sendo organizado em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, Hospitais Públicos e Privados e já demonstra resultados positivos com melhora da qualidade do atendimento em vários hospitais do país e diminuição das seqüelas do AVC. Depois de 18 meses de avaliação da situação do país, mais de 15 estados visitados e mais de 50 hospitais envolvidos com o projeto e em diferentes fases de organização, em setembro de 2009 o projeto Nacional foi interrompido pelo Ministério da Saúde. A posição da Academia Brasileira de Neurologia/Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares é de que seja priorizada a estruturação de Redes Assistenciais de Cuidados Continuados ao paciente com AVC ou com fatores de risco para o AVC, que englobem todos os níveis de atenção: educação da população, prevenção primária e secundária, atendimento pré-hospitalar, hospitalar, reabilitação e reintegração social do paciente com AVC, com a implementação de todas as evidências disponíveis para o cuidado destes pacientes, como vem sendo feito no Projeto Nacional de Atendimento ao AVC, que apesar de interrompido pelo Ministério da Saúde, será mantido pela Rede Brasil AVC, apoiada pela Academia Brasileira de Neurologia/Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.
O AVC mata anualmente mais de 100.000 pessoas e só é citado na mídia quando faz vítimas ilustres como o falecido deputado Clodovil. Chega de descaso... No próximo 29 de outubro, dia mundial do AVC, o Brasil precisa despertar. O AVC precisa ser entendido como uma epidemia grave e como uma emergência de saúde pública. É essencial mudar radicalmente a maneira como esta doença tem sido encarada neste País. Sob pena de continuarmos sendo varridos por esta tsunami anunciada.
Verifique a programação do dia do AVC:
Porto Alegre (RS)
28/10: Grand Round das 11 às 12h no Auditório do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, transmitido online em tempo real (mms://ead.hcpa.ufrgs.br/telemed) com possibilidade de interação pelo skype no final (nome skype: avc.hcpa):
"Acidente Vascular Cerebral: da pesquisa à beira do leito, o que está sendo feito pela principal causa de morte e incapacidade no Brasil"
- O problema do AVC no país e o que existe de evidência: Dr. Octávio Marques Pontes Neto (Ribeirão Preto, Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa em AVC)
- O que está sendo feito para mudar a realidade: Dra. Sheila Ouriques Martins (Porto Alegre, Coordenadora da Rede Nacional de Atendimento ao AVC)
- Perspectivas futuras do AVC no Brasil: Dr. Jamary Oliveira Filho (Salvador, Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares).
28/10: Após o grand round, entrevista com jornalistas das 12 às 13h (presenciais ou à distância)
29/10: Orientação à população quanto aos fatores de risco e sinais de alerta para o AVC, com distribuição de folders no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (entrada do ambulatório), Hospital Conceição (ambulatório térreo) e Hospital Mãe de Deus (entrada da emergência). Veja o banner do evento
29/10: 14 às 17 h simposio da enfermagem transmitido online: atendimento do AVC no pré-hospitalar, fase aguda hospitalar e reabilitação (Anfiteatro da emergência do Hospital de Clínicas de POA, UNICAMP e Ribeirão Preto)
30/10: das 9 às 11h palestra de educação sobre o AVC para pacientes e familiares no Auditório C do Hospital São Lucas da PUC.
Cruz Alta (RS)
29/10: a partir das 14 horas, orientação à população quanto aos fatores de risco e sinais de alerta para o AVC, com distribuição de folders no Calçadão de Cruz Alta
Curitiba (PR)
Orientação à população quanto aos fatores de risco e sinais de alerta para o AVC, com distribuição de folders e medida de pressão arterial
29/10: shoppings Palladium, São José e Crystal
29/10: Hospital VITA Curitiba, onde também será realizado exame para diagnóstico de diabetes e colesterol elevado.
Joinville (SC)
26 à 30/10: no terminal de ônibus do centro -orientação à população quanto aos fatores de risco e sinais de alerta para o AVC, com distribuição de folders
29/10: palestra às 20h na UNIMED “ Porquê o AVC é o maior de saúde pública brasileiro? ”
Rio de Janeiro
Às 8 h, cada hospital fará palestras, distribuição de folhetos educativos e esclarecimentos à população (veja o folder e divulgação):
Hospital Copa D´Or - 21 de outubro, coordenador: Dr. Bernardo Liberato
Hospital Antonio Pedro - 26 de outubro, coordenador: Dr. Gabriel Freitas
Instituto de Neurologia - 27 de outubro, coordenador: Dr. Marco Py
Hospital Silvestre - 29 de outubro, coordenador: Dr. Marco Py
Hospital dos Servidores do Estado - 29 de outubro; coordenador: Dra. Clinete Lacativa
Santa Casa de Misericórdia - 29 de outubro; coordenador: Dr. Sergio Novis
Hospital Clementino Fraga Filho - 29 de outubro; coordenador: Dr. Charles André
Hospital Universitário Pedro Ernesto – 29 de outubro; coordenador: Dr. Marcelo Cagy
Hospitais Barra e Rios D´Or - 4 de novembro; coordenador: Dr. Christian Naurath
Hospital da Lagoa – 4 de novembro; coordenador: Dra. Elizabeth Batista
Hospital Souza Aguiar – 4 de novembro; coordenador: Dra. Simone Fernandes
Hospital Gaffree Guinle – 6 de novembro; coordenador: Dra. Claudia Vasconcelos
08/11: das 8 às 15h, orientação à população e distribuição de folhetos no calcadão de Copacabana, em Copacabana, em frente a Rua Figueiredo de Magalhães.
Campinas (SP)
23/10,5pm: lançamento do livro de AVC para profissionais de saúdes (veja a capa).
29/10: das 10h às 12h mídia desk com jornalistas presenciais e transmitido pela internet para todo o Brasil
29/10: 14 às 17 h simposio da enfermagem transmitido online: atendimento do AVC no pré-hospitalar, fase aguda hospitalar e reabilitação (UNICAMP, HC POA, HC Ribeirão)
29/10: 17h lançamento do Livro de AVC para leigos: "AVC: uma catástrofe que pode ser prevenida e tratada" (veja a capa).
Ribeirão Preto (SP)
29/10: simpósio de enfermagem das 14 às 17h: atendimento pré-hospitalar, aendimento de emergência e reabilitação (HC Ribeirão, Campinas e Porto Alegre)
29/10: à partir das 14h distribuição de folders e informação à população na Praça 15 de Novembro (centro)
Fernandópolis (SP)
28/10: das 19:30 às 21h, palestra com a Dra Francisca Goreth M. M. Fantini sobre o tema “Prevenção das doenças cerebrovasculares", promovida pelo Programa de Medicina Preventiva. Local: anfiteatro da Unimed, das 19h30 às 21h. Público: usuários da UNIMED.
São Paulo (SP)
29/10: das 9 às 12h -distribuição de folders e informação para a população sobre o AVC no Hospital M" Boi Mirim (Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a SMS)
29/10: das 9 às 12h I Fórum Municipal de Combate ao AVC (veja o folder de divulgação do evento)
Goiânia (GO)
29/10: distribuição de folders e informação para a população sobre o AVC no Shopping Buriti. Veja o material de divulgação do evento.
Salvador (BA)
24/09: Caminhada da população para despertar a opinião pública sobre os fatores de risco para o derrame
29/10: Conferência do Comitê de Combate ao Derrame com a finalidade de debater políticas públicas para diminuir a mortalidade por AVC em Salvador.
Leia sobre o Projeto de Lei que oficializou o Dia do combate ao AVC em Salvador.
Fortaleza (CE)
29/10 - 8 h - Orientação à população quanto aos fatores de risco e sinais de alerta para o AVC (entrada dos ambulatórios do Hospital Geral de Fortaleza).
29/10 - 16 h - Lançamento oficial do Programa de Atenção Integral e Integrada ao AVC no Ceará; Inauguração da Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza (20 leitos monitorados e neurologistas de plantão 24 horas)
30/10 - 10 h - Inauguração de 66 leitos exclusivos para AVC no Hospital Waldemar de Alcântara (apoio à Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza)
Leia mais sobre o dia Internacional do AVC no site da World Stroke Organization: www.world-stroke.org/
Como reconhecer um AVC
Conheça os Hospitais da Rede Brasil AVC
Dia Mundial do AVC 2010: Sexta-feira 29 de outubro é o Dia Mundial do AVC
Fatores de Risco, Reabilitação, Unidades de AVC